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Paulo Freire e a Pedagogia Da Autonomia: início de uma resenha-debate

Os tópicos são estes: Capítulo I- Não há docência sem discência A pratica do cozinhar vai preparando o novato, ratificando alguns daqueles saberes, retificando outros e vai se possibilitando que ele vire cozinheiro. P.24Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua produção e construção. 25Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. 25Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática do ensinar-aprender participamos de uma experiência total. 26

No segundo podcast (programa de rádio) vamos falar um pouco sobre a importância de se desenvolver uma relação forte com os alunos. A relação professor aluno é um dos pilares do Método Paulo Freire. Hoje virou moda se falar relação aluno-professor, mas a tempos Paulo Freire aponta para isso! Vou começar com uma musica da Pitt para ilustrar a questão e depois começamos a ver os tópicos:A pratica do cozinhar vai preparando o novato, ratificando alguns daqueles saberes, retificando outros e vai se possibilitando que ele vire cozinheiro. P.24Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua produção e construção. 25Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. 25Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática do ensinar-aprender participamos de uma experiência total. 26

1.2 – Ensinar exige rigorosidade metódica O ensinar não se esgota no tratamento do objeto ou do conteúdo. P.28O papel do educador não é somente de ensinar conteúdos, mas também é o de ensinar a pensar certo. P.29

1.2 – Ensinar exige rigorosidade metódica É interessante notar quando Paulo Freire fala de método. Ele não esta se referindo a normas ABNT, mas ele esta se referindo a observação metódica. Quando olhamos para uma sala não vemos nada. Vemos um monte de ações que tem uma certa convergência, mas não tem um movimento claro. Alguns alunos bagunçam, outros são apáticos, outros estudam, outros esperam, outros estão dispersos. Mas, agora quando começamos olhar para cada aluno enquanto individuo e começamos a buscar compreender seu modos operandi a coisa muda.

Começamos a ver uma harmonia entre seus movimentos e ações (por mais inapropriadas que elas sejam) e ai estamos a caminho de criar um método…Um método de ação pode ser considerado também uma estratégia. Estratégia é uma visão geral da guerra. A estratégia traça o começo da ação (o motivo porque começamos a ação) , procura prever seu desenrolar (buscamos a a cada etapa obter vantagens significativas) e afirma a sua finalização (a vitória). Para termos um método (termos rigorosidade metódica, nas palavras de Paulo Freire) precisamos ter estratégia com os alunos: qual a finalidade da minha ação na vida deste ser…Se é só que ele tire boas notas e passe de ano porque reclama do comportamento dele? Porque o critica por não ter valores?

Pense na sua estratégia…A tática (parte essencial da estratégia) é as ações diárias que fazemos para que nossa estratégia se mantenha firme até o final. A tática são as ações cotidianas. É aquele sorriso gracioso, aquela mão amiga no ombro, aquele encorajamento, aquele energia vibrante, aquela certeza de vitória, aquele esperança gritante, aquele quietude quanto ao futuro e aquela inquietude quanto a apatia…Para termos alunos melhores precisamos ser pessoas melhores, para termos empregados (colaboradores, liderados, funcionários etc) precisamos ser pessoas melhores…Precisamos fazer disso um método de vida…

O ensinar não se esgota no tratamento do objeto ou do conteúdo. P.28O foco de Paulo Freire não é o conteúdo, mas o aluno. O conteúdo é uma forma de atrair o aluno para um novo patamar de vida. No ensinar matemática eu ensino a viver a vida. No ensinar geografia eu ensino a enfrentar a vida. No ensinar português eu ensino a amar. Mas, como posso ensinar a viver a vida se tenho medo da vida? Como posso ensinar a enfrentar a vida se eu mesmo recuo nas minhas lutas diárias? Como ensinar a amar se eu mesmo sou carente de amor e atenção? Para ensinarmos as crianças a serem melhores do que hoje elas são nós precisamos ser melhores do que hoje nos somos. O ensinar vai além do conteúdo…

O papel do educador não é somente de ensinar conteúdos, mas também é o de ensinar a pensar certo. P.29O papel do educador vai além dos conteúdos, afirma PAULO FREIRE, mas vai até o ponto de ensinar o aluno a pensar certo. Mas, o que vem a ser necessariamente isso? Vou exemplificar com um caso de sala de aula. Certa vez tive um aluno excelente em matemática. Ele era um aluno que tinha o jeito de malandro. Era malaco em toda a sua atitude. No seu andar, no seu falar, no seu agir, no seu todo ele era definitivamente um malandro. Ele havia assumido todo o estereotipo de ser malandro e estava plenamente orgulhoso disso.

Eu era professor de geografia dele, mas sempre o via fazer contas. Ele bagunçava, mas em determinado momento da aula lá estava ele fazendo contas. Então certa vez lhe perguntei o porque ele estudava matemática já que ele gostava tanto de ser visto como um malandro. (a palavra original é drão de ladrão). Então ele me disse que estudava matemática para não ser um ladrão pé de chinelo. Ele tinha 4 irmãos. Todos na vida do crime. Ele era o caçula (tinha 11 anos). Dois deles eram ladrões pé de chinelo e os outros dois ladrões de banco. Na rotina mensal de visitar cada irmão ele via a diferença dada para cada irmão dele.

Os ladrões de banco era respeitados na cadeia, enquanto os outros ladrões (pé de chinelo) eram tratados como escória do sistema carcerário.Ele me disse que o irmão o aconselhava a ser inteligente e saber fazer contas. Ladrão de banco não vai para frente sem saber fazer contas de tempo de fuga, ruas, divisão de dinheiro, aplicação da grana, ações internas etc. Um dos irmãos, vendo que o irmão tinha uma inclinação natural para os pensamentos exatos, o estava aconselhando e mostrando as glórias da profissão. Daí a motivação dele para aprender matemática. Ele queria ser um ladrão respeitado. Um ladrão de banco respeitado…

O que eu poderia fazer? Dizer: não estude. Pare você vai se tornar um ladrão assassino! Ou poderia dizer: olha existem outros caminhos para você. Mas, como fazer isso se eu mesmo não estava seguro do meu futuro. Eu ainda era um inexperiente aluno universitário que via a sala de aula de uma escola pública apenas como um meio de ganhar dinheiro para fazer uma pós-graduação para dar aula em universidades renomadas…Como poderia ensinar a pensar certo se eu mesmo pensava errado. Se ele estudava pensando avidamente no lucro financeiro eu também não poderia me considerar tão diferente dele na medida em que eu também me tornara um mercenário.

Ahh, mas eu não ia matar ninguém na minha ação que visava lucro ao contrário de um ladrão de banco. Engana-se a si mesmo quem pensa assim. A minha primeira vitima estava bem diante dos meus olhos. Fruto da minha omissão e minha ação mercenária em sala de aula. Quantos haviam passado antes de mim que tiveram essa mesma atitude (sala de aula como meio de ganhar um dinheiro fácil) e me deixaram aquela bomba que estava na minha frente…Precisamos pensar certo…

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