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Gestão de Pessoas na IBM da década de 70: a questão da diversidade organizacional

Eu gosto muito da internet! Gosto muito da era informacional! Nós somos a geração que tem o privilégio de passar por eras de inovação sem ter que passar por meio século de vida. Eu sou da geração que assistiu a ascensão e queda de muitos gigantes do mundo corporativo. Desde empresas da velha economia como Metal Leve até corporações da nova economia como AOL. No entanto, acho que a mais surpreendente (porque esta não faliu, mas transformou-se radicalmente) é o caso da IBM.

A IBM era tão admirada que tanto quando lemos a biografia de gigantes do mundo do negócio como Micheal Dell (Dell Computers) como Bill Gates (Microsoft) vemos que o sonho de vida deles enquanto empresários (o seu “Everest” dos negócios) era a IBM. Ou seja, o ponto máximo da ambição empreendedora de adolescentes cheios de visão criativa para criar novos negócios era bater a IBM. Mas, o que nos surpreende (e sempre nos surpreende) é que a IBM tinha tudo não mão. Os melhores profissionais (um corpo organizacional qualificado e gigantesco), o maior prestígio (maior potencia em termos confiabilidade técnica), mais exposição na mídia (maior potencialidade para marketing) e um capital de investimentos (P&D bilionário) invejável. Mas, o que deu errado então?

Em termos técnicos a IBM era imbatível no setor de informática. Veja estas fotos que mostram uma IBM que sabia muito bem onde queria chegar! São fotos da década de 70 e mostram claramente que a IBM tinha sim uma visão de futuro muito avançada. Sabia da perspectiva de um mundo on-line (pelo menos o departamento de marketing sabia), mas não acreditou que este mundo começaria em casa (ao invés de nos escritórios) e com adolescentes (ao invés de iniciar-se com gerentes maduros).

Será que alguém não percebeu que hippies como Steve Jobs estavam na ativa?? Será que ninguém percebeu que nerds como Bill Gates não queriam vestir ternos e nem se livrar das caspas? E ninguém percebeu que muitos garotos como Micheal Dell achavam o quarto da faculdade um escritório bem lucrativo? Ainda preciso fazer a pergunta chave: o que deu errado então? Fácil responder agora não! A IBM faliu como empresa ligada ao ramo de informática (vendeu sua divisão de informática (computadores) para os asiáticos que agora operam com o nome de Lenovo), mas tem ressurgido como empresa de serviços e consultoria.
O que deu errado é que ela tinha as pessoas certas como capital certo, mas com um processo de gestão de pessoas totalmente errado. Um processo de gestão que ignorava totalmente o poder do homem criar novas técnicas a partir da mudança de cultura. As empresas hoje falam de diversidade cultural como elemento chave para compreender as mudanças no mundo social (que faltamente vão alterar o mundo corporativo), mas estão longe ainda de praticar isso intensamente. Diversidade cultural não é colocar um negro, um mexicano, um alemão e um praticante de yoga vegetariano no mesmo departamento. Ser uma empresa focada na diversidade é colocar pessoas diferentes (em termos de formação) para tocar projetos conjuntos.

Colocar um adolescente hippie como Steve Jobs em um departamento de planejamento traria para a IBM esta visão de que a revolução estava nos quartos e não nos escritórios. Colocar um nerd cheio de caspa em um departamento de planejamento estratégico traria para a IBM a visão de que a propriedade de um produto (computador-hardware) seria um bem menos valioso do que a concessão de um serviço (cd – software. Ironicamente hoje a IBM é uma empresa de serviços). E colocar um universitário como Micheall Dell no departamento de vendas traria para a IBM a visão de que o consumidor tem poder de decisão e não quer produtos “padronizados” com preços padronizados!

Mas, o que a IBM fez? Colocou homens com doutorados e phds todos em uma mesma sala. O que aconteceu? Ora, aconteceu o que acontece naturalmente quando colocamos homens diplomados e com especialização em uma mesma sala? Ainda não adivinhou? Ora, meu caro leitor! Quando colocamos homens assim em uma sala sai uma tese! A tese que saiu na sala de reuniões dos grandes doutorandos da IBM era que o computador pessoal era uma piada! O computador pessoal era uma piada para a maioria dos executivos da década de 70.

Eles se perguntavam: para que alguém iria querer um computador em casa? Ora não havia nenhuma bibliografia ou algum autor de peso na academia que apostaria que as pessoas iriam “trabalhar” em casa sem ter um “chefe” para mandar nelas! Era o pensamento da época! Ora, quando aqueles executivos olhavam para garotos como Stev Jobs exclamavam: o rapaz não tem disciplina para cortar o cabelo como vai ter disciplina para montar e tocar um negócio! Esqueça!

Quando aqueles executivos olhavam para garotos como Bill Gates pela janela de seus escritórios exclamavam: aquele ai nem penteia o cabelo! É possível ver as caspas dele daqui! Mal vestido e relaxado! Não tem futuro! Ora, quando aqueles executivos olhavam para garotos como Michael Dell exclamavam: este nem se empenha na faculdade! Coitado vai passar fome como vendedor! Não tem ambição na vida! Estes homens olhavam o mundo a partir de sua própria ótica e de sua própria cultura.

Para eles, culturalmente dizendo, não fazia sentido ter um computador em casa. Eram homens que começam a trabalhar com 13 ou 14 anos (não tinham tempo para games ou ociosidade. Vinham de colégios internos). Não fazia sentido ter um computador em casa para homens que se casavam cedo (e de fato, não casar era uma péssima opção. Fazia parte da vida adulta). Não fazia sentido ter um computador em casa para homens que tinham carteira assinada desde os 18 anos (status era começar a trabalhar cedo com terno, gravata e carteira assinada. Era a chamada carreira onde se iniciava-se como office-boy e chegava-se a presidente cumprindo horários e obedecendo ordens) . Homens que tiraram boas notas (é a historia do pai rico pai pobre de Kiyosaki).

Realmente não fazia sentido! Mas, a sociedade (o movimento da sociedade em direção ao futuro) não esta nem ai para o que os homens de negócio acham! A diversidade organizacional é uma garantia para as empresas não tomarem o caminho da boiada tendo sempre um botão vermelho no painel para avisar que há perigo no horizonte.Seja esperto, invista na diversidade.

Obs: veja todas as fotos da campanha “de produtos online” da IBM na década de 70 no site:

http://www.squareamerica.com/ib.htm

Categorias:Uncategorized
  1. Monica
    setembro 17, 2008 às 3:20 am

    Ubiratan, descobri este blog hj…e estou admirada com seus artigos. Parabéns!Estou dando aula de gestão de pessoas e gostaria muito de despertar o interesse em meus alunos pelo campo tão vasto da adm. penso em tornar as aulas mais práticas…será que posso utilizar os casos que vc expõe em sala, para debates ?Tem alguma sugestão de como tornar as aulas de gestão de pessoas, bem práticas ?PS: se tiver algum material que possa disponibilizar,eu agradeço desde já.Abraços e Parabéns !Monicamgfeitosa@globo.com

  2. Ubiratan Carlos Machado
    setembro 17, 2008 às 2:49 pm

    Bom dia Mônica! Prazer em ter uma professora de Gestão de Pessoas no nosso Blog! Eu é que fico entusiasmado em ter uma professora entusiasmada aqui! Muito obrigado pelos comentários! Pode usar o material “a la vonte”. Ele foi criado para isso mesmo! Para ser material de apoio para várias pessoas que trabalham com a temática de Gestão de Pessoas! Temos sugestões e materiais! Logo, logo vamos criar uma série de podcasts (gravações em mp3) sobre Gestão de Pessoas envolvendo pessoas de vários níveis. Vai ser um bate-papo sobre o conceito e sua aplicabilidade tendo como base o livro do Chiavenato. Entre no nosso novo blog que hoje vc já vai encontrar uma palestra sobre Comunicação Organizacional disponível para baixar! Vou te mandar algumas coisas por e-mail! OKhttp://birageo.blogspot.com/

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