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Gestão de Pessoas e Liderança: a fórmula de Mandela para liderar

No mundo há muitas formas de liderar pessoas como também há uma infinidade de contextos relativos a liderança. Uma coisa é entender a liderança em um país como a Alemanha de Hitler. Ora, o cara era alemão, entre alemães pregando uma Alemanha poderosa que viria a ser um Império de mil anos. E a fora isso ele tinha todo um passado cultural por trás de seu discurso. O mesmo pode se dizer de Winston Churchill (primeiro ministro da Britânico na Segunda Guerra Mundial) que também era inglês, liderando uma Inglaterra que adivinha de um Império além mar. Toda uma tradição de império e liderança.

São dois exemplos de lideranças (uma negativa e outra positiva) que se justificam por um contexto (difícil, mas não impossível) razoavelmente complicado. Agora, vamos para o caso de Nelson Mandela. Um negro em uma África (que não era vista como um continente unitário por grande parte dos negros que viviam no sistema tribal) dominada por um Imperialismo branco racista (Holanda, Bélgica, Inglaterra, França todos querendo sua fatia) que era legitimado pelo mundo civilizado ocidental. Mandela tinha que lidar tanto com as divisões tribais do seu país como também lidar com a intolerância branca na África do Sul que se estruturou no Apartheid.

O Apartheid não era apenas um partido ou uma opinião política, mas era um sistema de governo institucionalizado. Mandela passou de estudante de direito a comandante de forças terroristas. Experimentou o diálogo e a violência. De exímio orador a sabotador profissional. De representante estudantil a terrorista armado. Poderia ter seguido os passos de Che Guevara e ser um Mártir que nunca mudou a história de uma nação. Mas, ele teve (graças a Deus) um destino diferente: foi capturado e preso. E ai estava o caminho para Mandela se tornar um líder de VERDADE…

É incrível como podemos crescer quando há limitações as nossas ações mais tradicionais. Se quero me fazer ouvir crio um grupo de pessoas mais esclarecidas. Se esse grupo de pessoas não quiser me ouvir vou “as massas” e as convenço com minha oratória. E se as massas não quiserem se mexer crio um exército e derrubo o governo e submeto as massas a força. Ora esse era o pensamento de todo líder estudantil como também é o pensamento de todo presidente de empresa (ou diretor, gerente, encarregado etc). Há sempre um caminho “tradicional” da liderança. E não quer dizer que deixaram de ser líderes, mas se tornaram líderes subutilizados…

Mandela passou por esse processo. Mas, na prisão suas alternativas se tornaram limitadíssimas. Ser mais um preso político do Apartheid (havia vários e todos morriam na incógnita) para ser esquecido ou criar uma nova forma de liderança? Ora Mandela era contemporâneo de Steve Biko (você nunca ouviu falar não é?? Veja como terminou o mais promissor líder sul-africano antes de Mandela ascender: http://pt.wikipedia.org/wiki/Steve_Biko ) e sabia qual seria o seu destino nas prisões do sistema de Apartheid.

A inovação vem da limitação. Já dizia Thomas Edison: a necessidade é a parteira da inovação. Mas, você não precisa estar limitado materialmente para fazer inovações. Tudo é uma questão de perspectiva. Mandela inovou na forma de liderar. Abriu mão do poder presencial para se concentrar em uma única missão: encarnar a liberdade. Ele se preocupava em falar as palavras certas. Ele se concentrava para fazer uma única frase de impacto já que sua comunicação com o mundo exterior era muito pequena.

Uma mensagem (usou a mídia internacional e se submeteu ao jogo para dar audiência e receber poder subjetivo), um bilhete (jornalistas diziam: liberdade de expressão), um sorriso (estou confiante, ainda vou ver a África livre), um gesto (sempre acenando como um presidente americano). Tudo muito bem estudado muito bem planejado. Sua camisa florida (cada tribo na áfrica tem uma cor e suas camisas floridas expressavam essa unidade), seu gingado com a cabeça (modo das tribos se expressarem é com o gingando) seu sorriso despreocupado.

Tudo isso passou a fazer parte de sua forma de liderar. Ele não usava mais armas nem longos discursos, mas passou a usar símbolos subjetivos. A Esperança de dias melhores era a pedra onde ele assentava sua autoridade. Ora Jack Welch encarnou a comunicação sem burocracia. Todos que queriam uma GE livre da burocracia passaram a seguí-lo. Steve Jobs a informática com design e inovação e os melhores programadores e criadores passaram a querer trabalhar na Apple. Bill Gates encarnou o padrão e a funcionabilidade e todos os programadores que queriam “acesso a todos a um computador” simples e funcional passaram a seguí-lo.

Cada liderança bem sucedida é bem sucedida porque encarna uma imagem subjetiva que as pessoas querem para se sentirem mais seguras. Mandela aprendeu a liderar não em um palanque ou em um acampamento militar, mas aprendeu a liderar em uma cela úmida de uma prisão no regime mais violento do mundo depois do nazismo alemão: apartheid. Muitos gerentes e diretores (e até presidentes) dizem que não lideram porque não tem “as condições propícias” para tal. E Mandela tinha? Ele criou uma autoridade sólida sem ter ninguém subordinado institucionalmente a ele. Ele se tornou autoridade sem ser autoritário e sem ter poder institucional. Somente criando uma imagem de si para os outros.

Grande parte da liderança hoje carece deste simbologia subjetiva. Quando questionado sobre esse aprendizado sobre liderança que adquiriu nos anos de cárcere Mandela foi bem simples e fez menção a sua infância (e não ao seu passado de político universitário ou guerrilheiro terrorista).

“Você só conduz a manada de trás, certo? O papel do líder não é dizer aos outros o que devem fazer, mas formar um consenso. Em reuniões ele deixava que todas as pessoas falassem. Só então abria a boca para resumir calmamente todas as idéias apresentadas e, de forma, sutil apresentava seu ponto de vista em relação ao tema e o caminho que gostaria de ver trilhado” (Revista Exame, 13/08/2008, “A Nova cara da empresa Global”)

Incrível não é? Diferente dos discursos sobre liderança que você esta acostumado a ouvir. Lidere, seja o primeiro. Exponha suas idéias de forma ousada! Seja o primeiro! Mandela era assim, mas inovou porque teve que inovar dada as suas limitações. Você tem limitações para exercer sua liderança? Que ótimo eis a oportunidade de ser diferente! Estão questionando ou limitando sua autoridade institucional? Maravilhoso! Que oportunidade a vida esta te dando para ser um “Mandela do Business”. Sabia que foi quando Jack Welch admitiu que não tinha poder para mover a estrutura burocrática da GE é que ele criou Crotonville e deu uma guinada em sua forma de liderar? Quer saber mais: http://vocesa.abril.com.br/edi35/isto38.shl

E o que Mandela acha sobre ter “o controle” das decisões na mão todo o tempo: “convença as pessoas a agir, mas faça as acreditar que a idéia foi delas”. Ora quantos líderes tomam para si todo o crédito das idéias sem deixar nada para seus colaboradores. Tem uns que nem citam o trabalho em equipe! Precisamos aprender mais com Mandela a “conduzir manadas” que não são tocadas pela frente (em palanques ou em anúncios de produtos), mas sim por trás das cortinas (no dia a dia, na admoestação, no suporte para as atividades, na visão subjetiva de um ideal).

Mas, ai fica uma pergunta a você caro leitor: qual a imagem que você encarna hoje para seus colaboradores…

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  1. Diego Monteiro
    agosto 20, 2008 às 6:55 pm

    Oi Bira,Quanto à “Você só conduz a manada de trás, certo? O papel do líder não é dizer aos outros o que devem fazer, mas formar um consenso.”Esse negócio de papel de líder como receita de bolo acho bem complicado. Acredito que o papel do líder é diferente em cada situação, e um comportamento A ou B não o define! Suas qualidades não o fazem um líder, mas sim sua relação com a equipe.

  2. Ubiratan Carlos Machado
    agosto 21, 2008 às 12:34 am

    Diego! Polêmico Diego….rsMas, a expressão usada não caracteriza “receita de bolo”. Ao contrário. A produção de um consenso é um processo que envolve vários fatores. Não tem a ver com a qualidade do Mandela em si, mas sim como ele reage as diversas situações. Resumir a liderança a uma relação com sua equipe isso é reduzir a questão. Imagine! Os racistas da África do Sul que criaram o sistema do Apartheid não eram da equipe de Mandela, mas ele teve que produzir consenso junto a eles. O presidente da África do Sul no período, Frederik de Klerk, também não era da equipe do Mandela e foi um dos seus principais articuladores junto a elite branca, pois entendeu que era melhor uma África Negra sobre a égide de Mandela do que de guerrilhas tribais. Ele próprio era a favor do Apartheid, mas cedeu a visão de África do Sul de Mandela. Alias, até os radicais do movimento negro sul africano também cederam a visão de África de Mandela. Isso não aconteceu em Angola ou Zâmbia. Agora estou dando uma de geógrafo…rsNão acredito que as qualidades isoladas fazem um líder (tem o contexto também), mas se esse souber trabalhar suas qualidades (como Mandela o fez na prisão) associadas ao contexto que ele vive (Mandela deixou de usar a guerrilha física, para usar a guerrilha da imprensa mundial) ele tem grandes chances de se dar bem…

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