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Gestão de Pessoas e Empreendedorismo: Resenha Resumo do livro Pai Rico Pai Pobre de Robert Kiyosaki

Semana passada participei da Semana de Educação na FEUSP (Faculdade de Educação da USP). De uns tempos para cá eu não tenho me impressionado tanto com o provincianismo e com o fechamento conceitual de um dos maiores monastérios ativos do Brasil: USP. A minha crítica é justa porque fui filhote da casa e minha esposa ainda é…rs

Me impressiona a ignorância e a resistência dos educadores no que diz respeito de temas que são tão presentes no mundo da web e, consequêntemente no mundo os jovens que eles supostamente querem educar. Em um dos seminários este em debate a falta de interesse dos jovens no que se refere as leituras clássicas. Em um determinado ponto uma professora disse que não entendia porque os jovens não liam Riqueza das Nações de Adam Smith. Ali, estava segundo ela, a origem do capitalismo e todas as dicas para se compreender o funcionamento da economia capitalista. Eu pedi a palavra e fiz uma intervenção afirmando que os jovens se interessam sim por economia e ai esta o sucesso do livro “Pai Rico Pai Pobre” para provar isso.


Claro que o livro “Pai Rico Pai Pobre” não tem a complexidade e a profunidade do livro “Riqueza das Nações” de Adam Smith, mas há de se lembrar que também este livro foi escrito para os “leigos” do período. O conhecimento tende, naturalmente, a se simplificar e se difundir. A métafora “mão invisível” não foi para explicar economia para os cultos, e sim para os leigos. Logo após a sala foi tomada por um alvoroço de professores chamando o livro de um “livro da auto-ajuda” tão inútil quanto o autor dele. Nossa, na hora deu para perceber como o estudo sistemático de teses de doutorado produz tolerância e aceitação pelo diferente (rs, estou ironizando). Então, esse tópico é para você que ainda não leu o livro “Pai Rico Pai Pobre” e quer ter um motivo para ler esta obra. E ainda de quebra, para o pessoal de Gestão de Pessoas, vou fazer uma conexão prática e conceitual para ser utilizando em ambiente organizacional….


O livro é uma destas obras primas contemporâneas que mistura simplicidade econômica, valores sociais e estratégias de ação em forma de uma história familiar bem simples. Vale a pena se debruçar sobre o livro e instigar seus colaboradores mais próximos a repensar seus valores no que diz respeito a dinheiro, condutas sociais, investimentos e consumo. Vale a pena investir em criar um debate sobre o livro. A história do livro é simples e se passa com um jovem garoto que adentra na adolescência com as dúvidas comuns a todo jovem urbano: ser empregado ou ser patrão? Quero ganhar dinheiro, mas é só trabalhando para alguém? Tenho algumas idéias na cachola, mas é possível implementa-las? Porque aquele marceneiro anda de Blazer com a quarta série e meu pai anda de gol quadrado com a faculdade de administração? Porque alguns moram em belas casas e nós temos que economizar para pagar o financiamento da casa?


Este jovem precisa decidir a quem escutar e a quem seguir! Ele não tem maturidade para decidir sobre estes temas então ele procura espelhos para procurar compreender o mundo adulto. Neste processo ele fica dividido entre os seus dois pais. Ele tem dois! Um é seu pai biológico (pai chefe de sua casa, casado com sua mãe) e outro é o pai que ele adotou (pai no sentido de aceitar conselhos e orientação para sua vida).

O pai biológico deste adolescente era formado (era professor universitário creio eu. Tinha Phd e tudo), mas vivia de um trabalho cansativo e seu salário era suficiente para manter aquele padrão de vida aparente. Como todos sabemos: ganho 5 mil tenho carro de 70 mil reais. Ganho 5 mil pago uma prestação de 2 mil do carro, 1 mil do apartamento e o resto distribuo entre os cartões de crédito e os meus vários limites bancários. Ele chama a isso de “Corrida dos Ratos” que é mais ou menos o ato de correr atrás do próprio rabo: você dá inúmeras voltas e não sai do lugar. Esta é a corrida daqueles que somente se preocupam em trabalhar e não em ganhar dinheiro. É o velho ditado, se você trabalha demais não tem tempo para ganhar dinheiro. Na maioria dos casos são pessoas que estudam demais pensando apenas em ter um bom emprego e o emprego se torna o senhor da vida delas: ele diz quando dormir, quando passear, quando descansar etc

Agora o pai adotado deste adolescente é um verdadeiro investidor. Ele tem um trabalho simples: técnico de refrigeração. Quase não tem estudo, mas por conta disso tem que se virar avaliando cada centavo que tem em mãos. Ele não tem garantias (FGTS, 13º, férias etc) então teve que aprender a investir cada centavo. Ele não tem casa própria (não financia nada que não seja um investimento de retorno). Ele ganha 2 mil reais, paga 500 de aluguel, tem um carro simples e busca novas formas de diversificar o negócio. Ele precisa fazer o dinheiro trabalhar para ele. Este é o desafio deste homem (o empreendedor pai biológico do adolescente). Ele não esta preocupado com aposentadoria, mas ele esta preocupado com o dinheiro que vai ter para desfrutar na aposentadoria. Este homem estuda muito, mas estuda a sociedade e as oportunidades que ela provavelmente vai dar para ele. Ele não tem diplomas, mas sabe muito de negócios…

O adolescente então se vê diante de dois mundos: um mundo de garantias trabalhistas (emprego), status social (carros a prestação, casa a prestação, roupas a prestação) e reconhecimento social (diploma, cargo, reconhecimento) e outro o mundo dos riscos (trabalho por conta), de falta de status (não vai ser carro no início, não vai ter casa, não vai ter roupas de primeira linha, mas também não vai ter prestações) e não vai ter reconhecimento social (trabalhador autônomo é sinônimo de desempregado). Ele vai ter que tomar uma decisão agora que vai alterar toda a sua vida: arriscar e buscar colher um galardão grande (ficar rico) ou se encolher e colher um galardão menor, mas mais certo (pagar a casa, criar os filhos e terminar a vida com um carro). Em termos rudimentares esse é o núcleo da história.

Neste processo o jovem adolescente decide passar um tempo com seu pai adotado. Agora ele terá que se submeter como empregado para saber como é ser emprego a fim de que possa optar com segurança por ser patrão. Estamos falando de um garoto com 9 anos de idade. A maioria dos garotos desta idade (principalmente da classe média) não sabe nem fazer um Nescau ou Toddy (colocar chocolate quente em um copo e mexer até ele ficar homogêneo). Mas, esse garoto já esta se colocando no lugar de um empregado e recebendo a sua primeira lição:


– Se você aprender as lições da vida, você vai se dar bem. Se não, a vida vai continuar dando trancos em você. Alguns apenas deixam a vida continuar batendo neles. Outros ficam zangados e batem de volta. Mas eles batem no patrão ou no emprego, no marido ou na mulher. Eles não sabem que é a vida que está batendo. A vida bate em todos nós. Alguns desistem. Outros lutam. Alguns aprendem a lição e seguem em frente. Eles recebem satisfeitos os trancos da vida. Para estes, isso quer dizer que precisam e querem aprender alguma coisa. Eles aprendem e prosseguem em frente. A maioria desiste e uns poucos, como você, lutam. Se você aprender esta lição, você se tornará um jovem sábio, rico e feliz. Se você não aprender, passará a vida culpando um emprego, um baixo salário ou seu chefe pêlos seus problemas. Passará sua vida esperando por um golpe de sorte que resolva seus problemas de dinheiro. (p.27)

Somente este trecho já poderia colocar muito marmanjo com as barbas de molho. Ora o maior problema do moderno processo de Gestão de Pessoas é justamente resolver essa equação: “aprender a lição e seguir em frente”. Desafios todos nós teremos! Incertezas? Elas vem e vão. Cobranças? Normal, a humanidade evolui através de metas! Ou seja, é preciso convencer aquele funcionário chorão (aquele que foi criado com sucrilhos e que a mãe sempre arrumava a cama dele antes de ir para a escola) de que ele agora tem responsabilidades que lhes são delegadas. Ele precisa resolver aquele problema.

Por exemplo, este pai adotivo tinha uma empresa e ele também queria fazer um processo de Gestão de Pessoas no estilo proposto por Chiavenatto no qual as pessoas pudessem colaborar com idéias (e receber participação por isso) para que a empresa ganhasse mais dinheiro e gerasse lucro para todos. Este pai adotado sabe que o chão de fábrica é potencialmente um gerador de novas idéias porque esta no dia a dia do trabalho. Sabe que o sistema botton-up é eficaz, mas com o que ele se depara quando vai implementar um processo de gestão de pessoas compartilhado! Mas, com o que ele se depara:

– Vocês dois, garotos, foram as primeiras pessoas na vida que me pediram para lhes ensinar a ganhar dinheiro. Tenho mais de 150 empregados e nenhum deles me perguntou o que eu sei sobre dinheiro. Eles me pedem um emprego e um salário, mas nunca que lhes ensine sobre o dinheiro. De modo que a maioria deles passará os melhores anos de suas vidas trabalhando pelo dinheiro, sem entender realmente para que é que eles estão trabalhando.

Isso se chama alienação. Não é a empresa que aliena o funcionário, mas é o próprio funcionário que se aliena não querendo saber sobre como o seu trabalho colabora com a empresa (e com o lucro desta empresa). Ele apenas faz seu trabalho. É preciso desenvolver uma espécie de endo-empreendedorismo (endo quer dizer dentro). Isso se chama iniciativa, pró-atividade ou empreendedorismo, mas prefiro chamar de envolvimento. Mas, como envolver os funcionários?

Daí entra o processo de Gestão de Pessoas e Gestão do Conhecimento que trabalham de forma congregada! É preciso mostrar a estrutura na qual eles estão inseridos.


Estrutura empresarial e organizacional. O que nossa organização faz? Qual o impacto dela em determinado setor? Como estamos frente a concorrência? Quais os novos campos de negócios que queremos entrar? Geralmente um funcionário só tem contato com estas informações no dia em que é contratado? O resto do tempo ele só trabalha de forma alienada. E a alienação deve ser o maior inimigo do processo de Gestão de Pessoas! Quando o Pai adotado vai falar sobre empreendedorismo ele não fala somente de negócios, mas fala de governo, políticas, dependência e consumo. Ele realmente mostra os meandros do dinheiro e como ele se reproduz (e como ele se desfaz). Mostra com as pessoas se fazem e se desfazem também diante deste dinheiro em um ciclo que mistura medo, ambição e dinheiro. É a famosa “Corrida dos Ratos”:


– Muito bem – disse pai rico suavemente. – A maioria das pessoas tem um preço. E tem um preço por causa de duas emoções humanas, o medo e a ambição. Primeiro, o medo de não ter dinheiro as leva a trabalhar arduamente e, quando recebem o contracheque, a ambição ou o desejo as levam a pensar nas coisas maravilhosas que podem ser compradas. Então se define o padrão. – Que padrão? – perguntei. – Acordar, ir para o trabalho, pagar contas, acordar, ir para o trabalho, pagar contas… Suas vidas então são conduzidas sempre por duas emoções: medo e ambição. Ofereça-lhes mais dinheiro e elas continuarão o ciclo, aumentando também as despesas. É isso que chamo de “Corrida dos Ratos”.

O dinheiro deve trabalhar para nós (nos dar mais tempo para a nossa família, para curtir natureza, para a educação dos nossos filhos, para o relacionamento com amigos, para comermos bem e devagar (vaza de fast-food) e para cooperarmos com a vida daqueles que mais necessitam) e não nós que devemos trabalhar para ele que é um Senhor Despótico e Tirano: tira nossa vida, nossa família, nossa saúde, nossa alegria, nosso prazer de viver (alguns até se drogam nos Shoppings consumindo coisas caras para aliviar a tensão do dia a dia, mas essa droga é como o crack: intenso, mas passageiro).

Ouça a palestra em áudio mp3, faça o download do livro aqui mesmo na Radioblogtv: Áudio do Livro Pai Rico Pai Pobre Mp3 podcast Debate

Categorias:Uncategorized
  1. Elizabeth
    dezembro 16, 2008 às 8:50 pm

    muito bom adorei, vou comprar este livro!

  2. Ubiratan Carlos Machado
    fevereiro 26, 2009 às 4:06 pm

    Este livro é show de bola! Deveria ser obrigatório em todo curso de ADM…rs

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