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Gestão de Pessoas e web 2.0: as lições de Obama para as corporações

Um dos maiores desafios das grandes corporações hoje é lidar com as pessoas. Fazer com as pessoas colaborem e cooperem (e não somente trabalhem) é um dos maiores desafios dos líderes. Apesar de todo o avanço nas conquistas trabalhistas (carteira assinada, convênio médio, convênio dentário, férias, assistência etc) as pessoas ainda precisam estar motivadas para fazer suas atividades.
Ele precisa ver sentido nas coisas para que ele realmente se disponha a colaborar e cooperar. Para trabalhar basta alimentar a carne (fornecer alimento ao corpo através de um determinado salário mensal). Mas, para cooperar ele precisa de mais do que comida. É a velha história de Maslow (quer saber sobre a pirâmide de Maslow clique aqui).

Todos tem um conjunto de necessidades a serem preenchidas. Mas, o que é incrível é que as corporações mais avançadas e sofisticadas do planeta raramente saem do nível fisiológico (comida). Eu vejo anúncios de trabalho, como também vejo comentários de colegas, que na hora da contratação as empresas vão logo falando dos “benefícios” que a empresa oferece. Fala-se somente de comida propriamente dita. Os tickets, o convênio, o salário, as regalias etc…

Quando passamos para o segundo nível (segurança – emprego estável) a coisa começa a complicar. Ai vem uma coisa chamada “resultados”. Há um conjunto de metas a serem atingidas (se são realistas ou não é problema meu. Assim dirá seu chefe a você no primeiro dia de trabalho). E daí pouquíssimas empresas passam: amor e relacionamento? O que é isso? E o que mais Maslow diz: estima e reconhecimento. Essa eu pulo Maslow! O que tem mais a Maslow? E ele vai te dizer o último nível para fazer alguém realmente colaborar com a atividade ao qual ele esta sendo contratado para fazer:

“Necessidades de auto-realização, em que o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode ser: “What humans can be, they must be: they must be true to their own nature!”.

Huummm, coisa de filósofo! Realmente já foi coisa de filósofo, mas agora temos algo mais concreto para afirmar que isso não é somente coisa de filósofo. Temos um presidente norte-americano (e isso não é qualquer coisa) que é totalmente fora dos padrões de beleza do mundo (que dirá norte-americano) que simplesmente conseguiu gerar em uma centena de milhões de americanos um sentimento de auto-realização.

Centenas de milhares de pessoas se mobilizaram em torno de uma proposta de se realizar enquanto uma nação democrática e aberta a todas as raças. Centenas de milhares de pessoas queriam acreditar que realmente a América era a terra da oportunidade e que poderia sim eleger um negro (de origem familiar muçulmana em plena guerra do Iraque) para a presidência. Como pode um sonho tão bobo (isso iria ser manipulação da mídia diriam uns) se tornar tão real. Parece até a
história Fievel

Mas, o fato é que Obama conseguiu isso! Ele consegui, através do resgate de um sonho simples e profundo do povo norte-americano, congregar pessoas que não tinham muito a agregar financeiramente (26% das contribuições vieram de pessoas que deram menos de 200 dólares. Veja a matéria), mas que tinham uma enorme vontade de contribuir para ver esse sonho americano concretizado.

Estes eleitores já existiam na Era Bush. Esta rede social estava adormecida. Ela vivia um estado latente. No entanto, quando a possibilidade técnica de trazer essa rede social a vida esta já disponível Barack Obama foi o primeiro homem de poder e influência a reconhecê-la. Ele sem demora contratou nada mais nada menos que Chris Hughes (co-fundador do Facebook que não é muito conhecido no Brasil, mas é o Orkut dos norte-americanos. Veja matéria completa). A matéria é clara:
Formado em Literatura e História por Harvard (ele não é programador), e descrito como uma pessoa tímida e muito inteligente, Hughes foi responsável pelo MyBarackObama.com, a plataforma de rede social que centralizou as atividades da campanha on-line, também chamada de MyBO. Quando criou o site, teve uma preocupação central ― aplicar os mesmos conceitos do Facebook. Ou seja, a rede social deveria reforçar o local. Indicar quais pessoas perto de você vão votar no Obama ou ainda estão indecisas, quando vai acontecer a festa, o comício mais próximo etc. E ainda ajudar as pessoas a manterem os relacionamentos que já possuem no “mundo off-line” do que a criar novos
contatos. Reforçar laços
.

Veja bem! Ele não é programador! Ele não é formado em TI, mas é uma pessoa que sabe da importância da ligação entre o local e o global que as redes sociais tem a capacidade de concretizar. Barack Obama “sentiu” que este sentimento estava latente e viu que as redes sociais (tecnologias web 2.0) já estavam maduras e se aventurou nos 7 mares da internet. O resultado é esta campanha (e esta vitória) esplendida que trouxe os Estados Unidos para um novo patamar em termos de imagem global.

Pela primeira vez em décadas uma bandeira norte-americana não é queimada no Fórum Social Mundial. Diplomacia?? Não são as mídias sociais! Quem trabalha com Gestão de Pessoas deve estar atento a esta nova forma de criar relacionamentos entre pessoas. Veja que a ênfase da matéria é clara quanto as habilidades de Chris Hughes (que é formado em literatura e história): ainda ajudar as pessoas a manterem os relacionamentos.

Ora esse não é trabalho de quem lida com gestão de pessoas? Ora, isso não é estratégico em qualquer projeto de inovação corporativa? É preciso ter um novo olhar sobre as tecnologias web 2.0. Esse olhar não é um olhar de TI, mas um olhar de quem vê uma nova forma de gestão de pessoas nascendo…
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