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Gestão de Pessoas e Web 2.0: da necessidade das pessoas a necessidade da Lei

Todos nós que somos adeptos da gestão de pessoas sabemos que o importante é compreender e atender as necessidades e as demandas das pessoas. Digo, compreender primeiro (antes de só simplesmente atender) porque sabemos que trabalhar com pessoas PODE ser complicado. É potencialmente complicado, mas não é necessariamente complicado. Devido ao “potencialmente complicado” existem as leis para regular os “transgressores da sociedade”, mas devido ao “não é necessariamente” existe o bom senso e a humanidade para fazer as coisas fluírem para os “construtores da sociedade”.

Daí ficarmos entre a Lei para Punir e a o bom senso para estimular. E é na sociedade (e nas organizações que são extensão desta sociedade) que nós vemos a dificuldade de manter esse delicado equilíbrio. Nesta semana, no caderno Link do Estado de São Paulo, saiu a seguinte matéria “Então você é pirata!”. A matéria fala sobre a crescente ambigüidade entre o “estar na Lei” e o “estar fora da Lei” quando a questão é internet.
Numa época em que, de acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), 95% dos downloads de música na internet são ilegais e a tecnologia permite copiar, subir, baixar e compartilhar arquivos pela rede, as leis continuam as mesmas do século 20: para ter acesso a um disco, filme ou livro você precisa comprar uma cópia. Se copiar ou tiver acesso sem pagar, é criminoso. Segundo uma pesquisa da Comscore, 46% dos internautas brasileiros acessam o YouTube. De acordo com a legislação, ter acesso a conteúdo ilegal, mesmo que apenas para assistir, é crime. Então, apenas no YouTube, há muitos potenciais piratas brasileiros. Quem subir conteúdo protegido para o site pode pegar até quatro anos de prisão. Você tem um MP3 player ou um celular que toca música? De onde vieram as músicas que estão lá? Se foi de programas do tipo P2P ou Torrent, com certeza são piratas. Mas sabia que digitalizar um CD que você mesmo comprou também é crime? Segundo dados do Ibope/NetRatings, os downloads ilegais eram feitos por 38% dos internautas brasileiros há um ano. Hoje, são 46%. Uma pesquisa da Fecomércio-RJ aponta que apenas 5% da população não recorre à pirataria por medo de ser punida. Toda essa situação está fazendo surgir um debate: no momento em que a maioria das pessoas está à margem da lei, de quem é o erro: das pessoas ou da lei?

Esta questão esta no âmago da Gestão de Pessoas: mudar as regras para atender as demandas ou mudar as demandas para atender as regras. Geralmente a pessoa que trabalha com Gestão de Pessoas tem o bom senso de optar pela primeira alternativa! Mas, o fato é que quando vamos implementar um processo de gestão de pessoas sempre há regras a serem quebradas ou reformuladas. Sempre há “anacronismos” a serem quebrados ou superados. Veja o caso da Lei brasileira para a questão da interent! Ela considera nada menos que 46% dos internautas como “agentes da pirataria”. Somente 5% é considerada “moralmente” lícita. Ou seja, somente 5% não é bandida! Colocar o youtube como potencial criador de “infratores” ou “criminosos” é um absurdo!

Em muitas empresas a implementação de um processo de gestão de pessoas adequado vai passar pela mesma situação. Vai estar diante de anacronismos berrantes que já deveriam (pela própria evidencia dos fatos) terem sido considerados fatores suficientes para se optar pela mudança. Mas, porque que não vai se optar pela mudança se a evidência é tão grande? Simples, porque há interesses por trás destes anacronismos! Nenhum anacronismo se sustenta por si só. Ele é sustentado por algo, por alguém ou por algum interesse.

Neste momento é bom ficar calmo (a) e começar a conversar com as pessoas. Conversar com outros departamentos e começar a conviver com o anacronismo para ver onde esta sua raiz. Pode acreditar! Esta em algum departamento com alguma pessoa. Como ocorre na internet! Existem forças “ocultas” se mantém, se amparam e se sustetnam na Lei como último recurso para barrar o avanço.

No caso da “pirataria da internet” há sim a questão dos direitos autorais dos artistas, mas há também uma necessidade de adequação da forma de distribuição dos lucros por parte das gravadoras e dos criadores. Ai é que mora o problema. As gravadoras simplesmente não querem mudar a sua forma de lucrar porque esta forma é muito lucrativa para elas apesar de ser prejudicial para todo o restante da sociedade. O “fabricação e distribuição da música” (através do cd) requer muito dinheiro e aparato o que torna o custo elevado para o consumidor e deixa o artista atrelado as grandes gravadoras (ele não tem como fazer essa distribuição sozinho). Mas, com a “pirataria” da internet isso tudo muda! O custo de divulgação é baixo (baixíssimo e isso diminui o valor do Cd) o que aumenta a independencia e o poder de negociação do artista. Isso é bom para todos menos para as gravadoras…

Daí se vê que os mantenedores destas leis (e os legisladores se fazem cúmplices) são cumpridores da Lei, mas transgressores do bom senso (que deve imperar nestas medidas sociais). O mesmo ocorre nas grandes corporações! Mas, nesta luta de leis e departamentos anacrônicos nós (que trabalhos com gestão de pessoas) temos um aliado fantástico: as pessoas.

Veja que as pessoas que compreenderam o espírito de colaboração que impera no web 2.0 ficaram tranqüilas quanto o “estar fora da lei” e investiram nas pessoas. Estas pessoas (gestores de pessoas por natureza) buscaram da melhor forma atender esse crescente mercado e, em muitos casos, abrindo mão de um lucro pequeno e imediato para conseguir auferir grandes lucros ao médio prazo! Veja o caso do grupo Monty Phyton: “Cansados de lutar contra vídeos postos por fãs no YouTube, o grupo Monty Phyton criou um canal graça no site. Resultado? As vendas de seus DVDs cresceram 23.000% (sem exagero)”. Confira a notícia aqui. Veja outras ótimas iniciativas dos “fora da lei”:

Em 2007, o grupo inglês Radiohead permitiu aos internautas escolher o quanto queriam pagar pelo download se seu novo disco In Rainbows. Como aposta na rede, ainda permitiu que internautas fizessem vídeos e remixes de suas músicas

Criadas em 2001, as licenças Creative Commons possibilitam aos artistas terem mais controle da liberdade das suas obras, permitindo, por exemplo, que qualquer um baixe se não for para fins comerciais

Ao invés de lutar contra o uso indvido de suas marcas, Doritos, Coca-Cola e Mentos colocaram na mão dos internautas produção de publicidade. O material espalhou-se de forma viral pelo YouTube

Paulo Coelho descobriu que a pirataria é uma forma de divulgação. Ele, inclusive, montou um blog, o http://www.paulocoelhoblog.com, no qual disponibiliza versões ‘piratas’ de seus livros para baixar.

Pirataria? O grupo Teatro Mágico quer mais que as pessoas baixem mesmo. Famosa no circuito alternativo, a banda não tem gravadora e até vende CDs. Entretanto, nos shows, instiga seu público a baixar no site, ‘de graça’.

No Pará, tanto a cena tecnobrega, com DJs que fazem festas gigantescas, quanto a banda Calypso não se preocupam com pirataria e distribuem seus CDs para que camelôs copiem e vendam. O dinheiro vem das apresentações ao vivo.

O grupo Nine Inch Nails liberou músicas para fãs remixarem, criou um ‘jogo de realidade alternativa’, aderiu ao sistema de pague o quanto (e se) quiser para baixar o CD e foi recordista em vendas na Amazon.

Atender as demandas das pessoas é o principal objetivo da Gestão de Pessoas. A questão não é dar o que elas querem, mas fornecer o que elas precisam para se desenvolver mais!


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