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Motivação e Liderança em sala de aula: o papel de liderança do professor tem uma dimensão organizacional e política segundo Gramsci

Muitos professores dizem que trazer “ferramentas” de motivação e liderança para dentro da sala de aula é trazer o capitalismo para dentro da escola. Dizem que é mercantilizar a escolar ou trazer a lógica da empresa para dentro da escola. E eu digo que esses caras estão equivocados tanto em sua visão de “esquerda” quanto em suas leituras de “esquerda”. O problema da liderança e da produtividade intelectual dos alunos em sala de aula (principalmente quando se trata da Escola Pública) é um problema economico sim (produtividade, emprego, salário, promoção social etc), mas é um problema social e político também (violência, drogas, falta de perspectiva, dominação, desagregação). E esta visão não é minha (eu adoto e gosto dela), mas de um dos maiores intelectuais de esquerda do mundo: Antonio Gramsci.

Esse visionário e revolucionário de esquerda percebeu que a esquerda marxista tinha suprimido a dialética do processo político. Como sabem a dialética é a capacidade de trabalhar com contrários a fim de mobilizar as contradições para uma nova situação (síntese). Os marxistas ortodoxos (não sei porque ortodoxos porque os ortodoxos nunca abriram mão da dialética e sim os fundamentalistas ignorantes a respeito do verdadeiro sentido do marxismo) passaram a enxergar o mundo do prisma somente da contradição: capitalismo versus comunismo, trabalhador versus empresário, capitalista versus proletário). Eles não viram que a sociedade norte-americana havia criado uma coisa chamada “sociedade de consumo” onde havia lugar para o trabalhador. O trabalhador não mais estaria excluído da sociedade capitalista (como acontecia no passado) e nem inserido apenas como trabalhador assalariado (como acontecia no passado), mas agora ele seria também uma coisa chamada consumidor. Mesmo a mais excluída das pessoas esta na posição de consumidor: consumidor de bens duráveis, consumidor de carros, consumidor de carne, consumidor de drogas, consumidor de armas, consumidor de violência, de ódio, de medo, de angústia, de depressão etc. O consumo era a ponto que faria as pazes entres os capitalistas e o massa trabalhadora.
Gramsci também disse que a burguesia não somente estava trabalhando arduamente para construir uma estrutura produtiva, mas também estava trabalhando para construir uma coisa que ele chamou de superestrutura. A estrutura é o reino da matéria (produção), mas a superestrutura era o reino das idéias (da ideologia de consumo). Hora tudo isso é um fato hoje. Os alunos são frutos desta superestrutura: são consumistas vorazes, pessoas imediatistas (tem que pensar só no presente para não pensar no futuro e questionar), querem curtir a vida adoidado (pessoas que vivem apenas de sensações em usar muito a razão), imersos em sensualidades (o reino dos sentidos vem através do sexo: Microfisica do Poder – Foucault), adoradores de prestígio social e da moda (Gilles Lipovetsky O Império do Efêmero: a Moda e Seu Destino nas Sociedades Modernas) , pessoas vazias de sentido entre ao entretenimento (Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos; Vida para consumo – Zygmunt Bauman
E como lidar com isso? Como Gramsci via a alternativa de livrar o proletariado (ou a classe média hoje) deste mundo do consumo efêmero e do vazio existencial? Ele disse que já naquele período havia uma classe social capaz de fazer tanto a educação para o sistema hegemônico quanto para fazer uma educação para a libertação: o intelectual orgânico. Este seria o papel do professor dentro da nossa atual configuração social. Hoje a educação é uma atividade para vida toda e mais valorizada do que nunca, no entanto os professores (os intelectuais orgânicos) foram pegos de surpresa no esvaziamento de seus poderes tradicionais (o poder da nota e da instituição) quanto ao que se refere as suas novas atribuições sociais (o poder do conhecimento, do aprendizado continuado). Precisamos rever isso e desempenhar o papel de liderança social. Os alunos esperam isso! Em tempos de desagregação familiar esta liderança fica ainda mais necessária.

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